Eu tinha uma xícara de café entre os dedos, e tudo que pude fazer foi esborçar algum sorriso estranho entre um gole de café e outro, enquanto o assistia ir embora. O que poderia fazer? Correr até ele, jogar-me sob tuas plataformas de avião, digo, pés, e implorar que aquele não seja nosso fim? Por Deus! “Que se dane!” Ele e a “outra-garota-mais-interessante-e-meiga-que-o-valoriza.” Eu realmente não necessitava dele, entretanto, cada parte do meu corpo gritava seu nome desesperada e furiosamente. Queria, mas não podia. E de todas as coisas que aconteceram aqui, nada mais me surpreenderia, e de nada mais eu tinha certeza. Só de duas coisas, na verdade. A primeira: eu sairia completamente vazia daqui. E todos notariam. Porque diabos tinha de deixar o estojo de maquiagem em casa? E a segunda: acabara de acabar as duas coisas que eu mais amava nessa face da terra. E estava eu, (otária demais), jogada num banquinho da lanchonete amaldiçoando uns casais alheios na mesa da esquerda. Incrivelmente arrasada. Sem namorado. E pior ainda: Sem café.

Mad D.


Porque tão distante, garoto? Vem e diminui essa distância, aperta-te a mim, e cola teu corpo no meu. Anda, passo logo pro lado de cá, larga de demora. Me diz, você ainda lembra daquele negócio chamado coração? Então… vem e dá a ele outra função além de bombear sangue.

Mad D.


Mas você sabe que nunca fomos feitos um para o outro. Sabe que nunca combinamos, e que jamais seríamos um. Sabe que as nossas músicas nunca foram realmente nossas, e que nossos filmes não nos pertenceram. Você sempre soube que tuas camisas nunca ficariam realmente bonitas em mim, que nunca ficava fofo com ciumes. Você sabe que nunca realmente houve nada entre nós. Até porque na verdade, ambos sempre soubemos que nunca existiria um “nós”. Fomos dois, não um, como deveria ser. Jamais nos encaixamos, jamais combinamos, se quer nos amamos; e de certa forma, jamais existimos.

  Mads D. enrolada.


Mas é que eu odeio a intensidade ridícula do meu amor por ti, garoto. Odeio o jeito que você me encanta. Odeio esse teu cheiro maravilhoso de creme denttal, e esse teu sorriso largo. Odeio essas bochechas volumosas, e essas reviradas de olho que dá quando irritado. Odeio o jeito que bagunça o cabelo, e odeio o fato de ser extremamente alto, a ponto de quase fazer duas de mim. Odeio esse teu jeito largado, essa risada escandalosa, essas camisetas xadrez desbotadas. Essa tua sinceridade extrema, e o fato de não medir as palavras antes de cuspí-las. Odeio as tuas piadas sem graça, e tuas dancinhas completamente ridículas e fora do ritmo. Eu odeio você, menino. Eu odeio cada detalhe teu, só por fazerem meu amor por ti aumentar cada vez mais. 

Mads D. enrolada.


“Vem assim, assim mesmo. De cabelo bagunçado, rosto amassado e com o moletom rasgado. Larga tudo e corre aqui, só pra me abraçar e dizer que a tempestade é só cerimônia do arco-íris. Não precisa de muito, nem de chocolates, nem palavras poéticas. Não quero canção romantica, nem preciso de tua voz rouca me recitando poemas. Só de você. Só vem. Sorri, e me abraça; deixa que me afogue nos teus braços, e embebede-me de teu cheiro. Não quero festa, nem floricultura inteira; presentes, muito menos qualquer outra coisa. Só você. E eu. E nós. Só vem. Simplesmente vem.”
  Mads D, enrolada.


Você sabe que acabou quando sente aquele cheiro sem absorver nada mais que o aroma. Quando ouve aquela voz sem ter um mini-ataque cardíaco; quando olha naquele rosto sem começar a rir feito idiota. Quando aquelas fotos não te fazem sentir saudade, e naquelas músicas, só sente a melodia. Você percebe que acabou quando aquele nome não lhe persegue mais, muito menos aquela cidade, e aquele rosto. Mas você só tem certeza mesmo, quando olha naqueles olhos, aqueles que antes eram teus, e não vê nada de tão mágico, ou empolgante como antes.

Mads D.


De tudo que já vi, és a mais bela pintura, e de todas as músicas que já escutei, tens a mais bela voz. Porque tão cedo? Mostra-me tuas asas, anjo. Permita que eu voe em teu lado. Cuide de quem pertencerá a ti, pra sempre. Porque tão frio, garoto? Diga-me, ainda bate algo ai dentro? Mostra-me esse amável sorriso torto; me entorta também. Deixe que seja eu dona dele. E vem, e fica. Não vai mais; prende as asas em mim. Olha, anjo… será que dá para fazer o amor doer menos? Porque assim, ah, assim não dá mais.

Mads D.